Sobre Alexandre Abrantes, pintor em Lisboa

Começo pela cor. É ela que determina tudo: a forma, a composição, a escala.

Alexandre Abrantes no seu atelier em Lisboa
Atelier, Lisboa

Não a cor como decoração, mas como matéria emocional: a capacidade que um campo de azul ou de vermelho tem de criar um estado, uma presença, um silêncio.

Durante anos explorei a geometria como arquitectura, formas que evocam espaços construídos, fronteiras claras, campos definidos. Aos poucos fui questionando essa rigidez. O que acontece na linha que separa dois campos de cor? Pode essa fronteira ser uma zona em vez de uma aresta?

É essa pergunta que orienta o trabalho agora. Não tenho resposta definitiva. Estou num caminho entre a ordem que me dá segurança e a abertura que me interessa explorar, entre a precisão e a imperfeição.

Biografia

Alexandre Abrantes cresceu rodeado de pintura. Desde os oito anos ajudava um tio, pintor consagrado, a preparar tintas. Conhece o cheiro do óleo de linhaça e da terebentina como uma memória do corpo.

A vida levou-o por outros caminhos: medicina, saúde pública, docência universitária, uma carreira internacional numa agência multilateral. A pintura acompanhou-o sempre, como prática e como paixão.

Em 1991 realizou a sua primeira exposição individual, Geometrias, na Galeria Orfeu da Livraria Portuguesa de Bruxelas, com texto de sala do escritor Amadeu Lopes Sabino.

Regressa agora à sua primeira vocação. Desenvolve a sua prática no AR.CO, Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. A sua segunda exposição individual está prevista para 2027.